terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Sentimentos mudos
Banhada em porquês, procuro o concreto das circunstâncias voláteis que nos colhem em conchas desconfortáveis. O gelo da frieza das palavras não pronunciadas mantém-me estática e sem motivos aparentes, sorrio! Aproximas-te devagar, transmites vontade de acariciar e distancias-te, refugias-te em obrigações e desapareces. O brilho do segredo ilumina-te, quer quebrar promessas ocultas, despindo-me de decisões indecisas e obrigando-te a ver o que não te permites ver. A rua é o palco onde representamos, onde o diálogo mudo de duas personagens que se ferem mutuamente persiste, mesmo sabendo todas as deixas de cor. A razão bem visível passa despercebida pelos intervalos de repentinos desacordos da pena que nos prende ao comodismo, julgamo-nos culpados mas apenas somos cúmplices inocentes do querer inconsciente dos nossos sentimentos. As pedras da calçada assistem, serenas, ao constante sarar de esperanças derrubadas e o levantar de novas lembranças amargas. O rodopiar de sentimentos estonteantes que nos abraçam, encobre as tentativas frustrantes de superarmos os medos cravados em nós e o afinco insuportável do querer, que nos alimentam dia após dia.
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1 comentário:
e no fundo, todos nos representamos no mesmo palco. Somos o público e o elenco em simultaneo
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