
Brinco com as labaredas do medo que se desfazem em cinzas e procuro pelo rasto da esperança que está coberta pelo negro do desespero. Dão-me a verdade despida de mentiras. Gelo, estremeço, inundam-se meus olhos de certezas injustas pela força da realidade. Invadida pelo sentimento de perda, junto a ti ele adormece, o teu sorriso procura consolar a tristeza que se espelha no meu olhar, no teu orgulho esqueço-me da vida lá fora e fazes-me sonhar. Conforto-me ao esboçar carinho, ao ajudar, ao não permitir a fuga de cada segundo que nasce, sem te dar algo de mim. Forçada, despeço-me de ti, convicta de que te voltarei a abraçar no adormecer do dia seguinte. Impedida por obrigações de saciar o meu querer, tarde chego para te aconchegar e sem permissão de te ver, meu peito chora e implora pelo calor das tuas palavras. Dias de espera, angústia e dor se seguem, cheios de nadas aflitivos. No renascer de esperanças adormeço, certa do que és capaz, descanso, ao acordar a tua partida é me anunciada. Acabou! Não, não me podes ter deixado. Não acredito! Inundada de raiva desta vida injusta que me arranca o que tenho de bom, choro. Cada lágrima devolve-me o passado. Alegrias, tristezas, amores, experiências, descobertas, concretizações e preocupações compartilhadas, estando longe ou perto, sempre contamos um com o outro. Resplandece em ti a tua vida, a tua força, a tua coragem, a tua alegria que me iluminam neste caminho de aceitação do teu destino. Guardo lembranças de nós, momentos simples de doçura, situações de grande cumplicidade, a tua protecção, a tua loucura, a tua boa disposição, a tua mão sempre estendida, os teus devaneios, os teus caprichos, o teu grande e bondoso coração. E porque te amo, não permito que sejas passado mas sempre serás presente! Sei que estás sempre aqui, que me acompanhas dia após dia e que continuas a abraçar-me com o teu amor, protegendo-me de tudo e de todos…
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