"No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema
existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura e, aberta,
uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia e o cansaço do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
o canto em vozes juntas, vozes certas
canção de uma só letra e um só destino a embarcar
no cais da nova nau das descobertas
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera do futuro."
José Luis Tinoco
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Simone de Oliveira
O Coliseu de Lisboa completamente esgotado!
Ontem pelas 20h e 30m as portas do Coliseu de Lisboa abriram para comemorar os 50 anos de carreira de Simone de Oliveira, num espectáculo memorável. No correr de 60 minutos que faltavam para dar ínicio a este grandioso espectáculo, inúmeras personalidades e amigos da cantora foram preenchendo, pouco a pouco, cada lugar vazio daquele lugar que abraçou e acarinhou Simone por noite dentro. Ao longo de mais de duas horas desfilaram pelo palco do Coliseu grande parte das músicas emblemáticas da carreira de Simone, escritas pelos maiores poetas do nosso país e cantadas por colegas e amigos da homenageada, como Anabela, Lara Li, Marisa, Pedro Abrunhosa, Pedro Moutinho, Dulce Pontes, Wanda Stuart, Henrique Feist, Lúcia Moniz e o grupo Gospel. A acompanhar os interpretes, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a batuta de Nuno Feist. Espectáculo de se lhe tirar o chapéu. Percorreu-se o Portugal dos 50 anos de carreira de Simone, com imagens de alguns acontecimentos da sua carreira e da vida politica e social do país.
Para terminar o espectáculo, Simone de Oliveira entra em palco, com uma presença inigualável e única, e de pé, o público fez suar uma estrondosa e calorosa salva de palmas perante aquela grande senhora. Cantou e encantou, num ambiente cheio de emoções e recordações, partilhando com Madalena Iglésias o final do tema " No Teu Poema" e os seus 50 anos de carreira contrariando a rivalidade entre as duas grandes cantoras, selado com um forte abraço de amizade.
Esta noite vai ficar na memória de todos os que assistiram a este grande espectáculo e será, para sempre, um grande marco da vida de Simone de Oliveira.
Ontem pelas 20h e 30m as portas do Coliseu de Lisboa abriram para comemorar os 50 anos de carreira de Simone de Oliveira, num espectáculo memorável. No correr de 60 minutos que faltavam para dar ínicio a este grandioso espectáculo, inúmeras personalidades e amigos da cantora foram preenchendo, pouco a pouco, cada lugar vazio daquele lugar que abraçou e acarinhou Simone por noite dentro. Ao longo de mais de duas horas desfilaram pelo palco do Coliseu grande parte das músicas emblemáticas da carreira de Simone, escritas pelos maiores poetas do nosso país e cantadas por colegas e amigos da homenageada, como Anabela, Lara Li, Marisa, Pedro Abrunhosa, Pedro Moutinho, Dulce Pontes, Wanda Stuart, Henrique Feist, Lúcia Moniz e o grupo Gospel. A acompanhar os interpretes, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a batuta de Nuno Feist. Espectáculo de se lhe tirar o chapéu. Percorreu-se o Portugal dos 50 anos de carreira de Simone, com imagens de alguns acontecimentos da sua carreira e da vida politica e social do país.
Para terminar o espectáculo, Simone de Oliveira entra em palco, com uma presença inigualável e única, e de pé, o público fez suar uma estrondosa e calorosa salva de palmas perante aquela grande senhora. Cantou e encantou, num ambiente cheio de emoções e recordações, partilhando com Madalena Iglésias o final do tema " No Teu Poema" e os seus 50 anos de carreira contrariando a rivalidade entre as duas grandes cantoras, selado com um forte abraço de amizade.
Esta noite vai ficar na memória de todos os que assistiram a este grande espectáculo e será, para sempre, um grande marco da vida de Simone de Oliveira.
Parabéns a todos!!!
Ainda embevecida, a tentar recompor-me de tudo o que tinha visto e apreciado, dirigi-me á porta 1, na expectativa de oferecer, pessoalmente, um simples bouquet de flores. O corredor cheio de amigos ansiosos por dar uma palavra amiga e de jornalistas inquietantes, que entrevistavam individualidades bem conhecidas da nossa sociedade, um aqui, outro ali, sempre de olhos virados para a porta que dava para os camarins, esperando a saída da grande Simone de Oliveira.
Passados alguns minutos, abre-se a porta e Simone aparece, vestida de branco como um anjo, com um sorriso alegre e contagiante e emanando calma e tranquilidade.
Com receio que não me reconhecesse, fui ao seu encontro, e com um sorriso, de braços abertos e um obrigada cheio de doçura, segurou o bouquet. Questionada da lembrança de mim, de olhos muitos expressivos disse " sim... dos cavalos!!!", sorriu e num abraço forte e apertado, acarinhou-me perante toda aquela multidão. Emocionada, como disse Simone no palco, e porque “as palavras já estão gastas”, apenas simples palavras consegui pronunciar pela força da emoção: Muitos Parabéns e, mais uma vez, Muito Obrigada por tudo! E um novo abraço cheio de gratidão e de desejos felizes, surgiu antes de caminhar para os jornalistas que a esperavam.
Passados alguns minutos, abre-se a porta e Simone aparece, vestida de branco como um anjo, com um sorriso alegre e contagiante e emanando calma e tranquilidade.
Com receio que não me reconhecesse, fui ao seu encontro, e com um sorriso, de braços abertos e um obrigada cheio de doçura, segurou o bouquet. Questionada da lembrança de mim, de olhos muitos expressivos disse " sim... dos cavalos!!!", sorriu e num abraço forte e apertado, acarinhou-me perante toda aquela multidão. Emocionada, como disse Simone no palco, e porque “as palavras já estão gastas”, apenas simples palavras consegui pronunciar pela força da emoção: Muitos Parabéns e, mais uma vez, Muito Obrigada por tudo! E um novo abraço cheio de gratidão e de desejos felizes, surgiu antes de caminhar para os jornalistas que a esperavam.
Obrigada Simone!
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Sentimentos mudos
Banhada em porquês, procuro o concreto das circunstâncias voláteis que nos colhem em conchas desconfortáveis. O gelo da frieza das palavras não pronunciadas mantém-me estática e sem motivos aparentes, sorrio! Aproximas-te devagar, transmites vontade de acariciar e distancias-te, refugias-te em obrigações e desapareces. O brilho do segredo ilumina-te, quer quebrar promessas ocultas, despindo-me de decisões indecisas e obrigando-te a ver o que não te permites ver. A rua é o palco onde representamos, onde o diálogo mudo de duas personagens que se ferem mutuamente persiste, mesmo sabendo todas as deixas de cor. A razão bem visível passa despercebida pelos intervalos de repentinos desacordos da pena que nos prende ao comodismo, julgamo-nos culpados mas apenas somos cúmplices inocentes do querer inconsciente dos nossos sentimentos. As pedras da calçada assistem, serenas, ao constante sarar de esperanças derrubadas e o levantar de novas lembranças amargas. O rodopiar de sentimentos estonteantes que nos abraçam, encobre as tentativas frustrantes de superarmos os medos cravados em nós e o afinco insuportável do querer, que nos alimentam dia após dia.
Desenhado num olhar
Decoro os teus traços, desenho-te com o olhar, mergulho no teu sorriso, quero-te sentir. Mostra-me que, na volta de um beijo, transformas o mundo e pintas o rascunho da vida com a cor do teu olhar. Permito-me sonhar, um sentimento de felicidade aquece-me nos segundos em que te vejo, quero parar o tempo, roubar a imagem do mundo e guardá-la em mim. Gargalhadas rasgadas pelo medo, os inquietantes movimentos em vão e os discretos olhares envergonhados marcam o passado. Cheia do teu vazio, procuro-te mas só te encontro nas palavras soltas e sem sentido. Adormecida por recordações e sensações descontroladas, controlada pelas emoções, soltam-se ilusões queimadas pelo acordar da realidade.
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