Como folhas caídas, aleatórias nos passeios da cidade, remendamos o passado, cobrindo-o com o mesmo trapo sujo de desculpas esfarrapadas. Os sonhos, envelhecidos e amarrotados pela força do impossível, persistem incessantes e incoerentes, não permitem que a ignorância de quem os move supere a sua liberdade. Esperas esquecimentos mútuos como se o murmúrio do teu rasto fosse incolor e o silêncio da tua presença fosse mudo. Num raio de encantamento permitiste-me sonhar, num rasgo de alento pensei lutar e num terno sentimento consegui guardar. Continuo na procura de ti, procuro o desconhecido que conheci, a sombra que me persegue em dias de sol e que me protege dos dias chuvosos. Esmorecida na coragem perdida, ancorada no tempo ténue, mágoas libertas pela saudade envolvem esperanças de um novo acreditar. Monólogos em mim esperam persuadir a razão cansada da pretensão do medo, escolhem destinos vincados de suor contrariado com sabor amargo de decisões sediadas de certezas.
sábado, 5 de abril de 2008
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Viver!
Há que viver cada momento como se fosse o último e saborear bem cada segundinho como se fosse o último pedacinho de doce que temos diante de nós. Para que nos serve guardar a felicidade para qualquer dia, quando esse qualquer dia não tem hora de chegada? Continuamos a ser injustas com nós próprias, impedimo-nos de ser felizes por medo, por pena ou mesmo por respeito pelos outros, sem que por vezes esses outros notem a tristeza de nos contrariarmos! Submetemo-nos a tudo, afundamo-nos em mágoas e amarguradas levantamos a cabeça e seguimos caminho. Caminho esse cheio de indecisões, promessas de um novo rumo e retrocessos, mas sem nunca desistirmos da nossa realização. Arregalamos os olhos, arregaçamos as mangas e reconstruímos pilares da nossa sobrevivência.
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