quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aprender


Durante a nossa breve passagem pela vida aprendemos mesmo sem nos darmos conta. Uma simples palavra pode-nos fazer ver o quão errados estivemos tanto tempo. Não sei se por defesa, não sei se por medo, não sei se por orgulho, o que quis dar não consegui fazer com que recebesses como não permiti que me desses o que me quiseste entregar. Já muitos anos passaram e de palavras vãs se foram alimentando. Cresci nutrida em ideias nascidas de pressupostos cansados do reboliço de pensamentos e de aparências arrogantes vincadas pela vaidade. Quando decidida a esquecer e baixar os braços da luta por um pedacinho que fosse da tua confiança, da tua atenção, algo me impede de cumprir o que em mim já era certo. Facilmente, apesar de assustada, aceitei o desafio mas intrigada, não nego! Segura do que me esperava, desabei quando a pouco e pouco deixaste os sentimentos espreitar e falar mais alto. Partilhaste experiências marcadas pela força desconhecida do ser humano e pela superação dos seus próprios receios. Percebi que a pessoa que ali estava, na minha frente, não era quem eu me obriguei ver, durante anos. Contente por me mostrares o quanto errada eu andava, arrisquei demonstrar o meu eu sem receios mas só por escassos segundos esqueci o passado que tanto me fez chorar. Ensinaste-me que é preciso esperar, que o que muitas vezes aparenta ser não o é e que por muito que se queira, não se pode chegar a quem não se deixa encontrar. Grata pelo que me deste, pelos simples momentos de conversa que me levaram ao teu mundo e que te descreveram em cada palavra de admiração e de dedicação, por tudo o que nunca pensei fazeres por mim, por toda a tua ajuda jamais esquecida e simplesmente por teres partilhado uma das melhores experiências da minha vida….

Obrigada

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

" Diário da tua ausência"


"Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar.


O amor não espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível.


É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.”


In Diário da Tua Ausência Margarida Rebelo Pinto

Jogo de sentimentos



Sem defesas apareço, vinda do nada, com palavras banais defino uma nova experiência e desperto curiosidades. Questionam-me com sede de conhecimento, discussões de assuntos comuns surgem e pontos de vista coincidentes culminam em simpatias. No ar pairam sorrisos. Pensamentos surpresos expressam-se no olhar enquanto me dou um pouco mais. Alheia, encontros e desencontros nos arrastam na mesma direcção. Na partilha de momentos vincados pelo desconhecido e pelo medo, rimos do prazer, trocamos olhares perdidos e corremos atrás da esperança. No aconchego das brincadeiras adormeço, gargalhadas me embalam e me fazem querer mais. Enganados por certezas, esperamos em vão mas tudo contraria. Sem consciência o silêncio grita por ti. Desculpas arrancadas por porquês de culpas vazias, levadas no vento pelo esquecimento, não devolvem o que foi perdido. Perdida na incógnita do que me querem dar, peço por sinais sem esperar retorno. Em dias rotineiros uma atenção inesperada leva-me ao passado já incerto mas que me atira para um futuro confuso sob mistérios persistentes e vontades inconscientes. Quereres pronunciados, promessas nunca cumpridas e acções contraditórias que me baralham. Envolvo-me num jogo de advinhas, cega por novas sensações, num impulso acredito no impossível mas logo constato ser apenas mais uma mentira. Da indiferença caio em indecisões e do desprezo retiro suposições. Confusa, procuro razões para desfazer todo este nó de emoções. Farta de ser um brinquedo gasto, tento esquecer e deixo o tempo correr…

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Saudades



Sinto um vazio inundado de saudades e uma brisa abraça-me e sussurra “ eu amo-te!”. É assim que me dás as boas noites todos os dias. Perco-me nos porquês, desencontro-me com a mentira e na verdade tenho que me reencontrar. Quero dizer que sim, que estás aqui, que me vês, ouves e sentes, que me guias e proteges como sempre o fizeste mas o que me leva a dizer que sim num momento, noutro faz-me duvidar. A única certeza que tenho é que, sinto a falta da tua alegria, do teu sorriso… simplesmente de ti! As mensagens que me enchiam o telemóvel de pedidos e de grandes conquistas sonhadas, os telefonemas inesperados de urgência em mim, as tardes a matar as saudades das ausências forçadas pela obrigação, tudo ficou em mim, não permito que sejam levados assim como te levaram. Quantas vezes me pergunto, se algum dia nos voltaremos a ver, e quando será esse dia. Se a vida é curta, como dizem, brevemente nos encontraremos. É assim que vou vivendo, a passo e passo sobre as dúvidas, construo ideais que mais me convêm e permaneço adormecida numa verdade de que preciso. A mágoa amarga do adeus que não foi dito, das palavras que ficaram no olhar e dos sentimentos silenciados pelo medo, permanece e insiste lembrar-me das oportunidades perdidas. Ainda tenho o teu riso no ouvido, sorrio e num segundo volto ao passado, doces momentos consigo reviver, mas a realidade não muda, está tudo tão frio, está tudo tão cheio de nada. Tenho que me permitir seguir em frente. Presa a ti, eu sei que vou permanecer, mas, agora sem ti, preciso de sobreviver. Só te quero pedir… Vive comigo!!!

P.S. I will always love you