quarta-feira, 29 de abril de 2009

Desejos

No acontecer espontâneo de todos os passos vulgares que nos esboça, seguimos vontades arrastadas pela sede do desconhecido. Procuro no sorriso momentos vincados pelos olhares nervosos amarrados na admiração de um rascunho diferente do ser. Intrigada pelo desejo desconcertante que me despe sem pedir permissão, permito apenas a tua presença. Conquistas de simples palavras trocadas, desenhamos o passado num presente impreciso e indeciso com tanto por aceitar. Quereres mútuos condescendem o reencontro coberto de impressões contraditórias, o nervoso miudinho que nos torna mudos e descaracterizados. No tempo envolvemo-nos e pedimos o amanhã disfarçado de certezas. De medos se constrói a fuga ao desejo que nos consome pelos sentidos, a negação pela afirmação do não imposto pela razão que nos torna escravos. Ausências marcam silêncios ensurdecedores, pelos gritos solitários da incompreensão dos porquês. Apenas de monólogos vivo, em horas desarrumadas procuro-te no esquecimento do que não quero esquecer, só uma palavra me abraça e conforta, a única coisa que te suplicava… uma palavra! Talvez ou não, tudo quero ou tudo renego por te querer sem querer. Fraca, desnutrida pelo que me alimenta a mágoa e que por enigmas me desgasta, impero nos teus dias de ontem, dos quais foges inseguro. Lutar contra o que nos atraiçoa, devolve-nos livres. Na sinceridade nos damos e porque o que nos atrai é a simplicidade da existência, a essência do sentir surge sem aviso prévio. Não é o que és nem o que poderias ser que me prende a ti, mas o que dedicas em esperas secretas. Do concreto se dissipam desejos de momentos nossos, onde nos isolamos do mundo imperfeito e no calor do beijo conquistamos a perfeição. Acreditar que nem todos os erros nos corroem a coerência, apenas nos ensina a viver o sonho com a certeza de que tudo ou algumas coisas podem mudar e que o tempo não nos escorre das mãos sem nada termos feito.

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